Archive for novembro 2010


.

Descobrir o verdadeiro sentido das coisas
É querer saber demais
Querer saber demais

“É cedo ou tarde demais, pra dizer adeus, pra dizer jamais”.


.

Tanto tempo já passou, no começo as coisas são fáceis e bonitas, mas isso tudo depois acaba, você queria que as coisas fossem diferentes ou no mínimo como eram no começo, mas não consegue fazer nada para mudar ou pra voltar a ser como era, já tentou de quase tudo e não sabe mais o que pode ser feito, as pessoas não colaboram com nada, você se sente sozinha com as responsabilidades em suas mãos para fazer as coisas serem melhores, mas quando perceberão que não depende só de você? Você pode errar um milhão de vezes, mas você tem amor no coração e principalmente o sentimento de perdão, perdão para as horas quando tem que perdoar o erro que não é seu, mas de alguém. Mas como seguir em frente quando os outros não pensam da mesma forma que você? E muito menos zelam pela mesma coisa que você. Você tem muita coisa boa pra dar, mas as pessoas não podem te dar nada em troca, você tem que aprender que não pode ficar esperando receber algo, talvez você nunca receba, às vezes a única coisa que você ganha é um pouco de sofrimento, mas isso é porque você quer, não porque você não tentou mudar, mas porque você aceita continuar desse jeito, e às vezes confessa pra você mesmo, que até o sofrimento é bem vindo, já que não lhe resta mais nada nem opções. Você só queria entender as pessoas e o que passa na cabeça delas, mas você não consegue, você deveria entender que cada um tem seu jeito, mas porque esse jeito tem que ser tão difícil? Porque as vezes você tem impressão que esta lutando nessa guerra sozinha? Você não esta só, mas tem medo de no fim se encontrar sozinha. Você não pode ter medo, você deveria saber que nunca estará sozinha e não depende de ninguém para ser feliz, mas infelizmente levará um bom tempo para aprender e superar tudo isso, antes terá que sofrer muito, errar muito, perdoar muito.

Jéssica Máximo Garcia

Sonhe alto, mas não tire os pés do chão.


.

Você acordou e agora? Passou o dia inteiro olhando as paredes, ficou alguns minutos tentando entender a pintura daquele quadro que ficou anos na sua sala, mas você nunca reparou nele com atenção, passou por alguns canais da televisão, nada de interessante, olhou pela janela, o tempo nublado e chuvoso te desanimou e mesmo que tivesse sol e mesmo que você se animasse provavelmente você não teria opções de lugares para ir, muito menos companhia disponível para sair com você naquele momento, todos ocupados e atarefados, cada qual com suas responsabilidades, e você? Talvez a única coisa que você seja responsável seja com si próprio, e nem isso você dá conta direito, tem também sua cachorra com uma doença crônica que depende de seus cuidados e atenção, isso torna seu dia um pouco mais útil. Sem opções nenhuma você entra na internet, olha alguns sites de relacionamentos, todos muito chatos, então resolve fazer pesquisar, pensa em viajar o mundo, se dedicar mais a você, ao seu futuro, então você encontra um anúncio de trabalho voluntário com animais selvagens, não seria nada mau dormir com uns bebês tigres, não? Logo você que dia sim e dia não se sente tão sozinho na sua casa, analisando o quadro que esta há anos na parede da sala, então você explora mais essa mundo de informações que é a internet, mais anúncios, dessa vez para estudar em Gold Coast na Austrália, interessante, não? E as praias na imagem do anúncio, querendo te seduzir, mas você se lembra que nem gosta muito de praia assim, mas porque não respirar outros ares, conhecer outras pessoas, estudar algo novo, aprender, mudar, crescer... O telefone toca e interrompe seus sonhos acordados e quebra todas as suas expectativas, era só engano, afinal quem ligaria para você? E então você percebe que estava viajando muito longe, sonhando acordado com coisas que talvez nunca aconteçam, e a ligação, que por sinal não era para você, fez com que voltasse a sua realidade, e então você decide sair de casa, comprar um novo quadro para a sala.

Jéssica Máximo Garcia


.

Você acorda depois de uma noite cheia de pesadelos, está muito calor, tenta voltar a dormir, nem que seja pra voltar aos pesadelos, pensa que talvez esses pesadelos ainda sejam menos piores que os pesadelos da vida real, mas você não consegue, algo superior que você não sabe o que é te perturba. Talvez o calor, será? Ou talvez, a frieza, do seu coração. Faz calor lá fora, mas aqui dentro faz frio, às vezes chove lágrimas, às vezes chove sangue, às vezes também aparece um sorriso que disfarça todo o resto. Você olha a sua volta, e a única coisa que consegue ver são as paredes, brancas e encardidas, onde estão os móveis, os eletroeletrônicos? Os tapetes, as cortinas, não há nem janelas, quem dirá cortinas. São só as paredes encardidas e frias e você com seu coração gelado e vazio, procurando uma saída, mas não há saídas, não há luz, então você pensa que talvez esse lugar que você esta seja dentro do seu coração, só pode ser, como sair dessa prisão? Um mistério, então você torce para que ainda esteja dormindo e que tudo seja um pesadelo, você quer acordar, ACORDE!

Jéssica Máximo Garcia


.


'Porque a força de dentro é maior. Maior que todo mal que existe no mundo. Maior que todos os ventos contrários. É maior porque é do bem. E nisso, sim, acredito até o fim.' C.F


.


"Acho que esta é minha última tentativa. Gosto muito de você gosto muito de você gosto muito de você sem pausas. Aos caminhos, entrego o nosso encontro e se tiver que ser, como tem que ser, do jeito que tiver que ser, a gente volta um dia. Da maior importância, meu bem. That’s it! Esteja bem. Queira estar bem. Como se fosse verdade. Se tiver que ser, vai ser." C.F


.


.

E nessa de cuidar, vou cuidar de mim. De mim, do meu coração e dessa minha mania de amar demais, de querer demais, de esperar demais. Dessa minha mania tão boba de amar errado. Seja feliz.


.

Quem diria que viver iria dar nisso?


.


I thought nothing could go wrong, but I was wrong.
I was wrong. If you, if you could get by, trying not to lie,
things wouldn't be so confused, but you always really knew,
I just wanna be with you.

Linger - The Cranberries


.

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.

Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.

Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no
ódio vocês combinam. Então?

Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a
menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.

Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama
este cara?

Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.

É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura
por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.

Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.

Não funciona assim.

Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.

Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.
Arnaldo Jabor


.

Amor não é se envolver com a pessoa perfeita, aquela dos nossos sonhos.
Não existem príncipes nem princesas. Encare a outra pessoa de forma sincera e real, exaltando suas qualidades, mas sabendo também de seus defeitos.
O amor só é lindo, quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser.
(autor desconhecido)


.

Essa não é mais uma carta de amor, são pensamentos soltos traduzidos em palavras, para que você possa entender o que eu também não entendo. Amar não é ter que ter sempre certeza, é aceitar que ninguém é perfeito pra ninguém, é poder ser você mesmo e não precisar fingir, é tentar esquecer e não conseguir fugir, fugir.. Já pensei em te largar já olhei tantas vezes pro lado, mas quando penso em alguém é por você que fecho os olhos, sei que nunca fui perfeita, mas com você eu posso ser até eu mesma que você vai entender. Posso brincar de descobrir desenho em nuvens, posso contar meus pesadelos e até minhas coisas fúteis, posso tirar a tua roupa, posso fazer o que eu quiser, posso perder o juízo, mas com você eu tô tranquila, tranquila. Agora o que vamos fazer eu também não sei, afinal, será que amar é mesmo tudo? Se isso não é amor o que mais pode ser? Tô aprendendo também ..

Jota Quest - O que eu também não entendo.

Extremos da Paixão


.

Andei pensando coisas. O que é raro, dirão os irônicos. Ou "o que foi?" - perguntariam os complacentes. Para estes últimos, quem sabe, escrevo. E repito: andei pensando coisas sobre amor, essa palavra sagrada. O que mais me deteve, do que pensei, era assim: a perda do amor é igual à perda da morte. Só que dói mais. Quando morre alguém que você ama, você se dói inteiro (a) mas a morte é inevitável, portanto normal. Quando você perde alguém que você ama, e esse amor - essa pessoa - continua vivo (a), há então uma morte anormal. O NUNCA MAIS de não ter quem se ama torna-se tão irremediável quanto não ter NUNCA MAIS quem morreu. E dói mais fundo- porque se poderia ter, já que está vivo (a). Mas não se tem, nem se terá, quando o fim do amor é: NEVER. Pensando nisso, pensei um pouco depois em Boy George: meu-amor-me-abandonou-e-sem-ele-eu-nao-vivo-então-quero-morrer-drogado. Lembrei de John Hincley Jr., apaixonado por Jodie Foster, e que escreveu a ela, em 1981: "Se você não me amar, eu matarei o presidente". E deu um tiro em Ronald Regan. A frase de Hincley é a mais significativa frase de amor do século XX. A atitude de Boy George - se não houver algo de publicitário nisso - é a mais linda atitude de amor do século XX. Penso em Werther, de Goethe. E acho lindo.

No século XX não se ama. Ninguém quer ninguém. Amar é out, é babaca, é careta.
Embora persistam essas estranhas fronteiras entre paixão e loucura, entre paixão e suicídio. Não compreendo como querer o outro possa tornar-se mais forte do que querer a si próprio. Não compreendo como querer o outro possa pintar como saída de nossa solidão fatal. Mentira:compreendo sim. Mesmo consciente de que nasci sozinho do útero de minha mãe, berrando de pavor para o mundo insano, e que embarcarei sozinho num caixão rumo a sei lá o quê, além do pó. O que ou quem cruzo entre esses dois portos gelados da solidão é mera viagem: véu de maya, ilusão, passatempo.
E exigimos o terno do perecível, loucos. Depois, pensei também em Adèle Hugo, filha de Victor Hugo. A Adèle H. de François Truffaut, vivida por Isabelle Adjani. Adèle apaixonou-se por um homem. Ele não a queria. Ela o seguiu aos Estados Unidos, ao Caribe, escrevendo cartas jamais respondidas, rastejando por amor. Enlouqueceu mendigando a atenção dele. Certo dia, em Barbados, esbarraram na rua. Ele a olhou. Ela, louca de amor por ele, não o reconheceu. Ele havia deixado de ser ele: transformara-se em símbolos em face nem corpo da paixão e da loucura dela. Não era mais ele: ela amava alguém que não existia mais, objetivamente. Existia somente dentro dela. Adèle morreu no hospício, escrevendo cartas (a ele: "É para você, para você que eu escrevo" - dizia Ana C.) numa língua que, até hoje, ninguém conseguiu decifrar.

Andei pensando em Adèle H., em Boy George e em John Hincley Jr. Andei pensando nesses extremos da paixão, quando te amo tanto e tão além do meu ego que - se você não me ama: eu enlouqueço, eu me suicido com heroína ou eu mato o presidente. Me veio um fundo desprezo pela minha/nossa dor mediana, pela minha/nossa rejeição amorosa desempenhando papéis tipo sou-forte-seguro-essa-sou-mais-eu. Que imensa miséria o grande amor - depois do não, depois do fim - reduzir-se a duas ou três frases frias ou sarcásticas. Num bar qualquer, numa esquina da vida. Ai que dor: que dor sentida e portuguesa de Fernando Pessoa - muito mais sábio -, que nunca caiu nessas ciladas. Pois como já dizia Drummond, "o amor car(o,a,) colega esse não consola nunca de núncaras". E apesar de tudo eu penso sim, eu digo sim, eu quero Sins.

CAIO FERNANDO ABREU - O Estado de S. Paulo, 8/7/1986